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Urologia: Câncer de próstata em 2016 - Parte I

Shakespeare dizia que o passar dos anos produzia nos homens sensações inevitáveis, as pernas cada vez mais finas dançavam desconcertadas dentro de calças cada vez mais folgadas, o corpo combalido se mantinha alheio aos pedidos da alma e do coração. Esqueceu-se de falar dos incômodos da próstata. Uma glândula emblemática, que nos jovens tem o papel triunfal de alimentar e manter vivos os espermatozóides e, com isto, perpetuar a espécie. Mas que no homem maduro é responsável por um tormento de conseqüências negativas para a qualidade e quantidade de vida de seus portadores: o câncer da próstata. Mal que surge em cerca de 10% dos homens com 50 anos, 30% daqueles com 70 anos e 100% dos que chegarem aos 100 anos de idade.

 

 

 

Diante de fatos tão majestosos e lembrando que a ciência médica continua envolvida por mistérios intrigantes, é fácil compreender as controvérsias e emoções que permeiam as discussões sobre o câncer da próstata. Controvérsias e emoções assombrosas entremeadas por algumas certezas alentadoras.

 

Frequência e Fatores de Risco

 

Atualmente vivem no Brasil cerca de 12 milhões de homens com mais de 50 anos e estima-se que dois milhões deles serão atingidos pelo câncer da próstata. A essa estatística incômoda, contrapõe-se outra mais animadora: de cada 18 homens acometidos pelo mal, apenas três morrerão pela doença. A conclusão óbvia é que a maioria dos pacientes sobrevive ao câncer, alguns por portarem tumores indolentes, que não progridem, muitos outros graças às ações médicas reparadoras.

 

Duas condições aumentam os riscos de se contrair o câncer da próstata, especificamente, a raça e a ocorrência de casos na família. A freqüência desse tumor é 70% menor em homens orientais, mas essa diferença quase desaparece quando orientais migram para o ocidente, sugerindo que influências ambientais e o modo de vida também estão implicados com a instalação da doença.

Já negros têm o dobro da incidência de câncer da próstata e neles o tumor costuma ceifar mais vidas. Além de predisposição hereditária, estudos  recentes patrocinados pela American Cancer Society, nos EUA, sugerem que esse comportamento pode estar relacionado com desigualdade social, que limita o acesso mais vulneráveis, incluindo alguns negros, aos tratamentos curativos. Fenômeno perverso que, possivelmente, se repete numa sociedade injusta como a nossa.

 

 

 

A incidência do câncer da próstata aumenta de duas vezes a cinco vezes, quando pai ou irmãos desenvolvem o mal antes dos 55 anos. Obesidade e vasectomia, lembrados com possíveis fatores de risco, não aumentam a incidência da doença. Contudo, o tumor manifesta-se de forma mais agressiva em obesos, o que constitui mais um motivo, entre outros, para os homens adultos se afastarem da sofreguidão.

 

Descoberta da doença

 

O câncer da próstata não produz sintomas nas fases iniciais, período em que a doença é altamente curável. Nessa etapa, a existência do câncer só pode ser explorada através do exame de toque (nos homens atingidos, surgem áreas endurecidas na glândula) e das dosagens no sangue do chamado “antígeno prostático específico” ou PSA. Esses dois exames devem ser realizados conjuntamente, já que o toque e o PSA, isoladamente, revelam, respectivamente, cerca de 25% e 45% dos casos com a doença. Executando-se os dois testes, são identificados 75% dos pacientes acometidos

A simplicidade dessas estatísticas poderia indicar que o diagnóstico do câncer da próstata é circundado por ideias consensuais. Infelizmente, isso está longe da realidade. Em primeiro lugar, o toque da próstata gera assombros incontidos na mente masculina. A verdade é que esse exame costuma ser realizado em quatro ou cinco segundos e de maneira indolor. Para os mais recalcitrantes, gostaria de dizer que muito pior do que o desconforto psicológico de alguns segundos é o flagelo que perdura por anos e sempre termina mal, quando um câncer é descoberto tardiamente.

 

Em segundo lugar, os níveis sanguíneos do PSA, proteína que é produzida exclusivamente pela próstata, encontram-se aumentados nos pacientes com câncer local, mas também podem se elevar em casos de infecção da glândula ou até mesmo em homens sem qualquer doença local.

 

Por isso, valores alterados de PSA exigem uma avaliação médica, mas não indicam, necessariamente, a existência de câncer.

Em terceiro lugar, a biópsia da próstata, realizada para confirmar suspeitas geradas pelos exames, pode falhar em 10 a 12% dos casos, não revelando a existência de câncer quando ele está presente. Essa imprecisão surge frequentemente em pacientes com tumores localizados na área anterior da próstata, quase inacessível à biópsia e imperceptível ao toque, o que acaba retardando o diagnóstico da doença. Felizmente essa situação incômoda tem sido contornada com dois novos exames, a ressonância magnética multiparamétrica e o PSMA PET-CT, que permitem a visualização de tumores mesmo nas áreas mais obscuras da próstata, com uma acurácia de cerca de 80%. Dessa forma, a existência de um tumor pode ser confirmada ou afastada, protegendo os portadores da doença ou eliminando apreensões intermináveis em pacientes sem o mal.

 

Para que o câncer da próstata seja diagnosticado no momento apropriado recomenda-se que os exames de detecção sejam repetidos anualmente, a partir dos 45 anos de acordo com diretrizes firmadas no passado. Por outro lado, nos casos hereditários a doença manifesta-se em idades mais precoces; por isso, homens com histórico familiar devem se submeter a exames preventivos anuais da próstata a partir dos 40 anos de idade.

 

Recentemente a US Task Force, dos Estados Unidos, sugeriu que os exames da próstata e exames de PSA rotineiros deveriam ser proscritos, sob o argumento de que o diagnóstico precoce da doença desencadeia ações médicas contundentes, desnecessárias em pacientes com câncer indolente. Em decorrência, segundo essa entidade, são produzidos um sem número de homens com a qualidade de vida comprometida pelas sequelas do tratamento.

 

Confesso que não aceitei bem essa recomendação. Com alguma frequência deparo-me com indivíduos que, aos 58 ou 60 anos, apresentam-se com doença já avançada, às vezes sem retorno, situação que teria sido evitada se o mal tivesse sido identificado mais cedo. Mais razoável é que o diagnóstico precoce seja realizado e médicos, seguindo as melhores evidências científicas e os melhores preceitos éticos, tratem apenas os casos mais agressivos, que colocam e risco e existência de seus pacientes. Ademais, penso que todos os seres humanos tem o direito inegociável de participar das decisões que interferem com o seu destino. Para aqueles preocupados em prolongar sua existência, tabelas e estatísticas médicas, sempre imprecisas e muitas vezes falhas, não podem prevalecer sobre esse sentimento inegociável.

 

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LEIA MAIS:

 

=  Clique aqui e leia a segunda matéria sobre Cancer de próstata

= Traumatologia e Ortopedia: Síndrome de Impacto (Bursite do Ombro)

 

 

 

 

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